
Conheça um pouco da história do autor de Fazer Acontecer.com.br, Julio Ribeiro, contada por ele mesmo.
Minha trajetória profissional
Por Julio Ribeiro
Minha pretensão era ser diplomata. Entrei em duas faculdades para me capacitar para o vestibular do Instituto Rio Branco: a Faculdade de Direito da USP e a Faculdade de Sociologia também da USP. Desisti da sociologia, mantive minha matrícula na faculdade de direito e continuei estudando à noite.
Quando me formei na faculdade de direito, eu já trabalhava na McCann Erickson, onde já era um profissional bem-sucedido. Mas aí me deu a louca: resolvi ser cliente.
“Como será que é ser cliente? Como nascem as barbaridades que eles exigem das agências?”. Pedi para uma amiga minha responder a um anúncio em inglês publicado no “Estadão” procurando por um gerente de propaganda.
Eu não falava inglês, mas fiz uma entrevista nessa língua sem entender nada do que o homem me falou e, para minha surpresa e pavor, fui contratado pela Caterpillar. Eles me mandaram para os Estados Unidos para um estágio de três meses. Foi um desastre. Eu não entendia nada do que as pessoas falavam, tentava adivinhar por suas expressões, foi realmente um horror.
No fim, porém, eu terminei o estágio e voltei para o Brasil falando algum inglês. Foi o maior sufoco que já passei na minha vida, mas acabei aprendendo o idioma e fiquei dois anos na empresa. Achei que já tinha cumprido a minha missão e voltei para a McCann Erickson.
Um dia, aconteceu uma das coisas mais eletrizantes de minha carreira: fui trabalhar na Denison e lá conheci um gênio, o Helio Silveira da Motta, o homem que inventou o planejamento no Brasil. Ele criava e vendia as campanhas para os clientes muitas vezes sem nenhum layout. Estudava o problema, visitava a empresa e algumas lojas e já saía de lá com uma ideia para vender ao cliente. Assim, “no cuspe”. Ele me ensinou muito do que sei sobre planejamento. Nunca encontrei outro profissional como ele.
Então, me deu a louca de novo e resolvi que ia ser empresário. Troquei a agência na qual eu ganhava muito bem por um quartinho na edícula de uma agência, mas que tinha meu nome: Julio Ribeiro Mihanovich Publicidade. O Mihanovich era o nome do meu sócio, um talentoso homem de criação chamado Armando Mihanovich.
Julio Ribeiro Mihanovich se tornou Casabranca, depois MPM-Casabranca e, finalmente, Talent. A Talent também nasceu de um sonho: nos anos 80, a MPM-Casabranca ganhou, em concorrência, a conta da Fiat. Fiz muitas reuniões na cidade de Torino, na Fiat italiana. Lá descobri uma agência que, embora pequena (tinha ao todo umas 20 pessoas), possuía a conta da Fiat, da Olivetti, Pirelli, etc. Era um novo modelo de agência, conhecido na Europa pela sigla CD, de “Clients Dream”. Uma agência assim tinha poucas pessoas, todas de alto nível, e somente 10 clientes.
Abri, então, uma nova agência num meio andar vazio na Avenida Faria Lima: a Talent. Funcionários? Só três: eu, um office-boy e um motorista. Clientes? Nenhum. Capital? Algum dinheiro no banco, duas resmas de papel, um conjunto vazio, uma mesa e o meu talento. Mas era como nascer de novo. Um novo sonho, uma “Clients Dream”, era a Talent. E deu certo.